

"Quando o meu
pai, com uns 22 anos, se dirigiu ao Governo Italiano com a sua invenção,
para obter reconhecimento e dinheiro para fundar a empresa, os Italianos acharam
que não estava bom da cabeça e negaram-lhe o apoio.
Mas a mãe disse, "-Não faz mal, vamos a Londres"".
Filha de Marconi: Gioia Marconi Braga
Marconi acompanhado da
mãe chegou a Londres, que era o centro do comércio e das comunicações
mundiais, bem como a capital de um império que se estendia por um quarto
da superfície do globo.
As decisões aqui tomadas afectavam as vidas de 500 milhões de
pessoas espalhadas pelo Mundo inteiro.
Marconi disse aos funcionários da alfândega que o seu invento
transformaria um número ainda maior de vidas, desconfiados os funcionários
destruíram-lhe o equipamento. Por sorte a mãe de Marconi era
cidadã britânica herdeira da fortuna do Whisky Jenson e uma mulher
bem relacionada. Conseguiu que o filho fosse apresentado W. A. Price, director
técnico dos Correios Britânicos.
Price era um dos homens mais importantes do sector das comunicações
do império Britânico. Marconi sabia, que convence-lo quase equivaleria
a convencer o Mundo.
As demonstrações do jovem, impressionaram profundamente Price
e a sua equipa.
Em breve histórias do Mago da Telegrafia sem fios chegavam aos quatro
cantos das ilhas Britânicas, maravilhando um público incrédulo.
Onde muitos viam magia Price viu uma oportunidade impar. Pela primeira vez
na história a telegrafia sem fius tornava possíveis as comunicações
entre mar- terra. Price, cria a TSF para a maior potência marítima
do globo.
Mas os planos de Marconi eram outros, pois tinha consciência das potencialidades
comerciais do seu invento. Marconi criou uma empresa para vender um produto
nunca antes produzido a um mercado inexistente. Price enfurecido avisou-o:
"Deu um passo que temo que seja contrário aos seus interesses
pessoais". E retirou o apoio governamental a Marconi.
O inventor via-se agora a braços com uma nova guerra. Westablish ciêntifico
lançou-lhe uma série de ataques Sr. Oliver Lotz nome destacado
da física e da experimentação no domínio da TSF
liderou a carga.
Lotz renegava Marconi para um lugar de segundo plano, como um homem que nada
inventara e tudo copiara. Deu-lhe lições de física elementares,
duas ou mais estações a emitir ao mesmo tempo abafar-se-iam
uma á outra. Marconi repostou com um novo invento, registando a patente
de um dispositivo que permitiria sintonizar os aparelhos de TSF em frequências
de rádio diferentes.
A sintonização permitia a implementação de uma
rede de estações de TSF. Para a construir Marconi precisava
de muito dinheiro. Marconi o inventor transformou-se em Marconi o feirante.
"Organizou inúmeras
demonstrações públicas, com pessoas famosas mostarndo
feitos que eram considerados impossíveis.
Precisava de convencer as pessoas da legitimidade do que estava a fazer, para
as convencer a comprar acções da sua empresa".
Mary K. Macleod (Historiadora do Cabo Bretão).
Marconi era um enterteiner consumado que se deslumbrava a deliciar as audiências,
não tardou a tornar-se um dos favoritos do príncipe de Gales.
Promotor incansável agarrou de braços abertos a oportunidade
de utilizar a TSF para relatar as regatas da Taça da América,
em Nova York.
Marconi chegou a uma cidade delirante com a febre das corridas. Os seus relatos
fizeram sensação, da noite para o dia Marconi tornou-se o ídolo
dos Americanos. O Público consumia vorazmente as noticias sobre o jovem
génio.
Marconi perplexo escreveu á mãe: "Estão admirados
por não encontrar um indivíduo com os cabelos em desalinho e
excentricamente vestido".
De regresso á Inglaterra Marconi encantou os companheiros de viagem
com a magia da TSF, e dexou-se igualmente enfeitiçar por Josephine
Holmen, uma beldade americana que deu o seu coração e a sua
mão a Marconi. O Noivado durou 2 anos durante os quais Josephine viu
o noivo menos de uma dúzia de vezes. Marconi foi seduzido por uma atracção
mais poderosa, ambicionava agora cobrir o Mundo inteiro com a sua TSF.
Por ironia do destino, foi o seu velho mentor Price que indicou o caminho.
"O Império
Britânico, com as sua possessões no mundo inteiro e as ligações
entre eles, os cabos submarinos, as rotas marítimas, propocionou-lhe
o modelo em que se inspirou.
Marconi viu o Império Britânico como a estrutura à qual
sobreporia a sua rede de TSF".
Susan Douglas - Historiadora
O plano de Marconi apresentava
uma desvantagem importante, os confins do Império Britânico já
se encontravam ligados por cabo telegráfico. Nas remotas estações
de cabo submarino Compart Containt na Terra Nova, os operadores transformaram-se
nos pregoeiros do Globo.
Na última década do Século XIX o código Morse
transfomara-se na linguagem internacional. Enquanto as pessoas falavam os
proprietários da rede de cabo submarino registavam lucros recorde.
Cobravam 25 cêntimos por palavra, o equivalente a um salário
diário de um trabalhador.
Os magnatas das comunicações acumulavam poder para além
de riqueza, influenciavam os governos, em troca era graciados com títulos
de cavaleiros. Marconi esteve prestes a entrar em rota de colisão com
eles. Tinha um décimo do capital da empresa, uma tecnologia experimental
e uma relação perclitante com os serviços postais Britânicos,
além disso possuía uma confiança inabalável em
si próprio.
"Desde as minha
primeiras experiências, sempre acreditei quase que intuitivamente, que
os sinais de rádio percorreriam um dia as mais vastas distâncias
que um dia a humanidade conseguiria, transmitir mensagens entre os confins
mais distantes do Mundo"
Marconi (escutar esta missão em áudio)
Os jornais começaram a insinuar que a TSF poderia vir a substituir um dia o cabo submarino, a cotação das acções caiu a pique, os magnatas decidiram que era tempo de tomar medidas em relação ao Italiano. Tentaram minar a confiança dos investidores na esperança de lhe cortar as asas. Marconi nunca esquecia nem perdoava, estava decidido em destruir o monopólio do cabo submarino.
" Esse objectivo
tornou-se a sua ideia fixa e a dos seus directores. Cedo decidiram implantar
estações transatlânticas e oferecer um serviço
de TSF que competisse com o cabo submarino."
Susan Douglas - Historiadora
"Um Jornal Gaélico
contava a história de uma mulher que chamava o marido, que trabalhava
no campo, para vir lanchar, e ele não vinha. Ela dizia, como é
que eu posso acreditar que Marconi é capaz de se fazer ouvir do outro
lado do Atlântico se eu não consigo chamar o meu marido para
vir lanchar?"
Mary K. McLead - Historiadora do Cabo Bretão
Os cientistas confrontavam a sabedoria popular com a matemática provando que a bizarra teoria de Marconi era impossível.
"É claro
que na altura parecia impossível. Ele queria convencer as pessoas de
que era impossível propagar ondas de rádio em linha curva. Toda
a gente sabia que as ondas rádio se propagavam como as ondas luminosas,
isto é, em linha recta.
Portanto para comunicar entre dois pontos do globo, essas ondas tinham de
ser curvas para percorrer grandes distâncias."
Francesco Paresce Marconi - Astrónomo / Neto
Como sempre, Marconi via
as coisas de uma maneira diferente. Mas entre a visão e o acto interpunham-se
3 000 Kilómetros de oceano. Até então Marconi apenas
conseguira enviar sinais a uma distância de 300 Km.
O inventor lançou-se apaixonadamente a esta tarefa, angariou 100 mil
dólares para a dispendiosa experiência. Conseguiu mesmo convencer
John Ambrose Fleming, um dos nomes mais destacados da electrotécnica
Britânica a ajudá-lo.
Marconi instalou enormes estações de TSF nos confins da Inglaterra
e no Mansachussets, os trabalhadores içaram mastros de navio para suportar
antenas de 6 metros, Marconi sustentava que eram precisas antenas gigantescas
para irradiar as ondas de radio muito longas que suponha necessárias
para a comunicação a longa distância.
Após de 9 meses de trabalho intenso, Marconi estava pronto para aquilo
a que chamava, "O grande momento". Mas, a catástrofe abateu-se
sobre ele. O pior furacão que havia memória, destruiu a estação
de Poldhu, na Inglaterra.
Passadas algumas semanas outra tempestade arrasara a estação
americana. Os estragos ascendia a milhares de dólares, os prejuízos
ameaçava por fim ás experiências e à empresa do
inventor.
Marconi reuniu o seu desalentado pessoal e o conselho de administração
trémulo, ordenou que Poldhu fosse reconstruída e deu aos seus
engenheiros apenas dois meses para o fazer. Marconi corria contra o tempo.
Os seus êxitos anteriores haviam atraído imitadores que pareciam
agora determinados a conquistar o seu troféu.
Preocupado decidiu que não havia tempo de reconstruir a estação
da América do Norte, em vez disso, apostou numa estação
receptora improvisada, na massa de terra do outro lado do atlântico,
mais próxima de Poldhu, na Terra Nova.
Marconi e os seus dois assistentes Kampi e Pegeout, desembarcaram em S. João
da Terra nova a 6 de Dezembro de 1901. O Inventor manteve a sua missão
absolutamente secreta, dizendo a repórteres curiosos, que viera para
prosseguir as sua experiências na área das comunicações
mar/terra.
Instalou o seu equipamento num hospital abandonado em Signoll Hill, 3 dia
depois estava pronto para iniciar a experiência mais importante da sua
vida. Telegrafou a Poldhu, para que a estação começa-se
a transmitir o sinal morse correspondente à letra S, um grupo de três
pontos ( . . . ). Contava com papagaios do tamanho de um homem, para manter
a sua antena de 180 metros e as esperanças bem altos.
Mas o tempo virou-se contra ele. Dois dos papagaios foram levados pelos ventos
ciclónicos, um terceiro despenhou-se várias vezes. Com os dias
assombrados pelo frio, Marconi reparou a custo o cordão e por fim conseguiu
levantar o papagaio. Já dentro do hospital, tomou calmamente uma chávena
de cacau quente, antes de iniciar o seu turno junto do receptor. Este era
pouco mais que o circulo metálico de Hertz, ligado a uma antena e a
um auscultador. Rabiscou alguns breves apontamentos técnicos, enquanto
aguardava comunicação de Poldhu, mas só ouvia uma tempestade
de electricidade estática e o "tic-tac" impiedoso do relógio.
O frio e a humidade entravam no aposento. Marconi abstraiu-se de tudo, então
ás 12h30 exactas ouviu três cliques bem emitidos, após
uma pausa, outros três ( . . . ).
O Mundo estupefacto aclamou o feito de Marconi.
O lendário Thomas Edison saudou o jovem que teve a suprema audácia
de saltar uma centelha eléctrica sobre o oceano. Alexander B. Bell,
disponibilizou a Marconi a sua propriedade em Bedeck no cabo Bretão
na Nova Escócia, para perseguir as suas experiências.
Com os olhos do Mundo postos nele, Marconi planeava já a batalha seguinte
na sua guerra contra o cabo submarino. Mas subestimou os seus poderosos rivais
que ripostaram com uma velocidade espantosa, atingindo-o com uma proibição
judicial.
Marconi foi forçado a recuar, na véspera de Natal de 1901, deixava
a Terra Nova, um jornalista que o acompanhava escreveu: "Parecia que
todos os camponeses do país o conheciam, pois quando o comboio parava
vinham ao magotes espreitar à janela, viam uma figura juvenil, que
para seu grande contentamento, tomara de assalto os bastiões do comércio
e da ciência com um papagaio.".
Mas os poderes instituídos, não estavam satisfeitos e atacaram
Marconi violentamente.
"Muitos duvidaram
de que ele tenha ouvido o sinal, mas isso não é importante,
penso que o ouviu mesmo, porque tinha a certeza de que ia acontecer e estava
tão certo disso no seu intimo que o ouviu, embora provavelmente mais
ninguém teria conseguido ouvi-lo.
E de certa forma isso torna tudo muito mais fácil de compreender. Era
algo em que ele acreditava tão profundamente que não interessava.
Ele sabia que dali a seis meses ou um ano ouviria o sinal. Por isso não
era relevante, não era um problema real".
Francesco Paresce Marconi Astrónomo / neto
Mas esse problema era
muito importante para os investidores que duvidavam do seu êxito e ficaram
horrorizados com os custos. Cem mil dólares para enviar uma carta para
o outro lado do atlântico.
O serviço transatlântico de grande escala projectado por Marconi
estava fora de questão, precisava de restaurar a sua credibilidade
e conseguir apoio financeiro. Encontrou um patrono inesperado, no Primeiro
Ministro Canadiano, Sr. Willfred Louree, este via a TSF como uma forma de
combater o estrangulamento imposto pelo cabo submarino ao elo de comunicações
vital com a Inglaterra e o império. Emprestou a Marconi o seu prestigio,
juntando-lhe 80 mil dólares para instalação de um serviço
transatlântico em território Canadiano.
Um promontório plano do Cabo Bretão adequava-se perfeitamente
aos requisitos do inventor.
"O que o atraiu
em Table Head foi sobretudo a sua altitude propícia à transmissão
via rádio, além disso ficava perto de uma pequena cidade, pelo
que teria acesso à electricidade e à água de que necessitava.
Mas talvez o aspecto mais importante tenha sido a linha de visão clara
e ininterrupta para Inglaterra."
Henry Bradford - Presidente da Associação dos Museus Marconi
Marconi assegurou á
opinião pública, que em breve transmitiria mensagens de um lado
para o outro do Atlântico, com uma fracção de custo cobrado
pelo monopólio do cabo submarino.
Os meses passaram, porém sem que nada acontecesse. Os jornais começara
a insinuar que afinal o Mago podia não passar de uma fraude.
A cotação da empresa caiu, um conselho de administração
em pánico, pressionava Marconi a apresentar resultados. E Marconi fê-lo,
quase um ano depois do triunfo em Signoll Hill, o inventor enviou a primeira
mensagem para o outro lado do Atlântico. Mas o conselho queria mais,
sobre pressão, abriu um serviço comercial muito publicitado.
Passado algumas semanas o tão celebrado serviço de TSF transatlântico
mergulhava no caos, as transmissões eram irregulares e as mensagens
chegavam cheias de erros.
Para profunda humilhação de Marconi, o serviço teve que
ser encerrado. As companhias do cabo submarino zombaram dele, chamaram-lhe
"fogo facto", esfregando sal nas feridas concorrentes apoderaram-se
das patentes e o espaço de acção.
Marconi ripostou, lançou-se à estrada para recuperar a sua empresa
e o seu orgulho. De temperamento normalmente soturno, ele tornara-se electrizante
quando promovia a sua TSF. Num golpe de mestre, assinou um contrato para adoptar
os navio de carreira Conart, de um boletim noticioso diário por TSF.
Pela primeira vez os passageiros poderiam ler as últimas, preguiçando
nas cadeiras do convés no meio do Atlântico.
Mas o que Marconi queria que fosse noticia, era o seu êxito nas comunicações
transatlânticas.
"Marconi estava
ciente da sua reputação e do seu estatuto, porque não
possuía estudos académicos.
Viera do nada, tentando provar que os outros estavam enganados, seria um golpe
muito duro para o seu orgulho.
Ele era sem dúvida um homem muito orgulhoso"
Francesco Paresce Marconi Astrónomo / neto
Com os cofres da empresa
novamente cheios, um Marconi determinado regressou a Glass Bay para terminar
o que tinha começado. Transferiu a estação mais para
o interior, para um terreno com 160 hectares e iniciou a construção
de um colossal sistemas único no mundo. Um circulo de mastros de 55
metros de altura, com um diâmetro de 800 metros, suportava 200 condutores
de antena.
Quatro torres gigantescas guiavam as antenas para o edifício que abrigava
o transmissor.
Como Torres de Babel, as bizarras estruturas dominavam a paisagem.
A opinião pública não sabia o que pensar de Marconi e
da sua TSF, mas estava completamente fascinada.
" Um jornal Gaélico,
tentou explicar aos seus leitores o que era a TSF, e recorreu ao Gaélico,
até porque não havia palavras em inglês. Tentou três
ou quatro combinações de palavras. Por fim, escolheu duas palavras,
coger hair, que querem dizer "pai", para significar "o pai
da TSF", mas depois acharam que ainda não estava correcto e arranjaram
outra expressão gaélica, algumas semanas depois, coger affaer,
que significava "Sussurros no ar".
Era assim que os Gaélicos se referiam ao que Marconi estava a fazer:
sussurros no ar"
Mary K. McLead - Historiadora do Cabo Bretão
Passado dois anos Marconi não se aproximava mais do seu objectivo,
estava física e emocionalmente exausto e à beira do colapso.
"Deve ter sido
muito difícil trabalhar sob criticas constantes, porque durante anos
e anos ele foi criticado no mundo inteiro. Grandes vultos afirmavam que aquilo
era absurdo, que não ia funcionar, que ele não passava de um
lunático. São coisas que afectam a personalidade."
Francesco Paresce Marconi Astrónomo / neto
Marconi então com 30 anos, pensou em abandonar o seu projecto, em vez disso apaixonou-se loucamente. Beatriz Obraien tinha 19 anos e era filha de um Aristocrata Irlandês, o Lord Lady Inchquin
"A minha mãe
ficou muito surpreendida por aquele Italiano se interessar por ela.
Era muito ingénua, nessa altura. Portanto ficou contentíssima
, chegou a casa e disse "Tenho um namorado", mas o pai, embora conhecesse
os feitos de Marconi, não viu com com bons olhos que uma das filhas
viesse a casa com um Italiano."
Filha de Marconi: Gioia Marconi Braga
Beatriz e Marconi casaram
na igreja mais elegante de Londres S. George em Hannover square.
Quase de seguida Marconi levou Beatriz para Q. Bay. Para uma jovem aristrocrata
Irlandesa acostumada aos aos criados e bailes da corte, o casamento e a Costa
do Canadá foram um choque.
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